terça-feira, 6 de outubro de 2015

Funeral...

Trilho meu caminho na tentativa de compreender o que vim fazer neste mundo, todos os dias levanto na expectativa de antes de ele finalizar conseguir compreende-lo, vou deitar todas as noites pensando em como acreditar que aquele dia que chegara ao final teve produtividade e tudo isso é em vão. Não existe um único momento em que me sinta feliz inteiramente ou completamente satisfeita por ser quem sou, sempre existe um detalhe a se notar e nele perceber que existe falhas, falhas estas que são capazes de me arrancar lágrimas desesperadas a procura de sorrisos.
Nesta tarde me recolhi dos olhos que costumam me julgar, fugi das bocas que me criticam infindavelmente e me exilei da população que com falsidade me diz querer bem, na fumaça de vários cigarros fiz morada, acalentei meus problemas em um copo de Whisky e calei meu choro com uma música incrivelmente depressiva, e por horas me mantive séria, não serena, mas séria, livre de sorrisos, livre de pensamentos, livre de emoções, mas até estas horas passaram, e tudo ao mesmo tempo se fez tempestade em mim, tudo tornou-se triste, incrivelmente triste...
TRISTE!
Que horas eram não me interessavam mais, o que eu estava fazendo ali já não tinha muita importância, não existia mais maquiagem apenas um borrão, sim um borrão igual a minha vida. Surtei mais uma vez, minha raiva descarreguei nos espelhos que fizeram de minha mão um quebra cabeça em vermelho, havia soluços e não dor, havia rancor e não medo, havia tristeza e muita tristeza e angustia fez morada em meu coração. Sujei minha taça de sangue combinando com a coloração daquele líquido dispersível como o sabor da vida, amarga. Jogada em um canto do quarto enxergando tudo e nada, fechei os meus olhos para absorver todo aquele momento, e ao abrir os olhos vi todas as minhas paredes cobertas de sangue, móveis, chão, teto... Tudo se fez sangue, caminhei com os olhos todo o ambiente e não havia uma brecha de luz, nenhuma saída, nenhuma área de esperança, e ao estacionar meus olhos em mim vi que meus pulsos eram o ponto de partida daquela inundação de vida, eu estava morrendo aos poucos, fraca, esquecida, sozinha.
ALONE!

Por horas me mantive parada, esperando meu ultimo suspiro, sabendo que chegaria um fim e por incrível que pareça estava bem, bem em saber que tudo acabaria em segundos, bem por ter certeza que estava prestes a começar algo novamente, se não em vida isso não importava mais e quando finalmente me senti fraca o suficiente para respirar e minha vista veio a embaçar, fechei os olhos para cruzar a fronteira da realidade com tranquilidade, mas fui desperta por um batido na porta que me mostrou ao abrir os olhos a realidade nua e crua, um quarto fúnebre com melodia fúnebre, onde o velado era apenas um, a minha vontade de viver. Me levantei, desliguei a música, e tranquilizei minha avó que desesperada procurava ouvir minha voz após ouvir o estilhaçar de vidros no meu quarto, envolvi minhas mãos em lençóis e fui a procura de ajuda médica, não sei se digo felizmente ou infelizmente os meus ferimentos não me levaram a óbito, já que não sei se a morte é realmente o fim. 

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